terça-feira, 5 de maio de 2009

Medo e Delírio em Las Vegas

por Tahiane

Em 1971 Hunter S. Thompson escreveu seu livro reportagem "Medo e Delírio em Las Vegas - uma jornada selvagem ao sonho americano", que foi publicado pela primeira vez na revista Rolling Stone e saiu aqui no Brasil pela editora Conrad, que é justamente a edição que eu tenho em mãos e do qual resolvi falar um pouco.

“Medo e delírio em Las Vegas" conta a história de um jornalista norte-americano e seu advogado samoano (Raoul Duke e Dr. Gonzo). Eles embarcam num Chevy vermelho conversível com a missão de cobrir uma corrida de motocicletas em Las Vegas. Para enfrentar esta desgastante tarefa, enchem o porta-malas do carro alugado com um estoque interminável de drogas e saem dirigindo pelo deserto de Nevada, partindo em alta velocidade de Los Angeles e parando apenas para dar carona a um estranho, que não permanece muito tempo com eles. Sem se alimentar, mantendo-se apenas à base de drogas, os dois se metem em festas, cassinos, e até mesmo numa conferência policial sobre o combate às drogas, tudo para experimentar na própria pele um mundo recém surgido: o "entretenimento de mercado". "Medo e delírio" é uma espécie de biografia não-autorizada do período de "desideologização" das drogas.

Foi adaptado para o cinema pelo diretor Terry Gillian (que dirigiu "Monty Python" e "Onze Macacos") e tem no elenco Johnny Depp (Rauol Duke/Thompson) e Benicio Del Toro (Dr. Gonzo, inspirado no advogado mexicano Oscar Zeta Acosta). O filme é excelente, muito parecido com o livro. As atuações Jhonny Depp e Benicio Del Toro são igualmente louváveis.

Hunter Thompsom, em minha opinião, é um dos maiores escritores da América. Não falo da América do Tio Sam, de Nixon ou dos Bush. A América que Thompson desvendava era a América de Willian Burroughs*, de Bob Dylan, a América roqueira, pária, drogada e sexualmente liberada, a América dos nosso ídolos. Na época em que o livro foi escrito, o sonho hippie morria e dava lugar a era dos antidepressivos. É um choque cultural entre "doidões e caretas", sem máscaras nem cinismo. Thompson conta as histórias de sua América com uma especial afeição à elas e profundo conhecimento de causa.

Eu recomendo.

Uns trechos do livro:

"Meu advogado balançou a cabeça. 'A gente precisa de um narguilé bem grande para colocar aqui em baixo, fora de vista. Se alguém vir, vai achar que estamos tomando oxigênio'".

"- Cadê o éter?, meu advogado quis saber. 'Essa mescalina não tá batendo'.
Estendi a chave do porta-malas enquando acendia um cachimbo de haxixe. Ele voltou com a garrafa de éter, tirou a tampa e derramou um pouco num lenço de papel, enfiou aquilo no nariz e respirou fundo. Encharquei outro lenço de papel e fiz a mesma coisa".

"Parei para conferir a sacola de drogas a uns 30 km ao leste de Barker. Debaixo daquele sol escaldante, eu sentia vontade de matar alguma coisa. Qualquer coisa. Até mesmo um lagarto."


* Willian burroughs, autor de "Almoço Nu", que eu já resenhei aqui.

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Algumas fotos do filme:



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Não deu pra disponibilizar o download do livro, galera, porque não tem em e-book.

Pra fazer o download do filme clique aqui.

Para fazer o download talvez seja necessário fazer um cadastro no fórum.

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