sábado, 23 de maio de 2009

Cada Doido com sua Pedra

por WART
"É naquela rua que tem o cachorro louco. Sim, ele é louco mesmo. Quando passo, ele fica latindo feito doido, rodando em volta do rabo e sua loucura é tão grande que ele próprio bate sua respectiva cabeça no portão. Um dia aí, passava eu feliz naquela rua tranqüila e residencial. Mas o cachorro, que ali eu avistei, estava solto. Passeando e latindo feito desesperado e deixando os outros cães enlouquecidos."

Eu sou louco. Sim, eu sou louco. Já nasci assim com essa ruma de idéias que as pessoas fazem questão de dizer que não fazem sentido. Mas, peraí... se para mim minhas idéias fazem sentido, logo, eu sou normal e todas as outras pessoas que dizem que sou louco é que na verdade são loucas! Não, eu não sou louco, posso ser estranho, sim, estranho, mas louco não. Talvez só um pouco doido...

Afinal, paremos (eu) com as divagações e tentemos falar de coisa que preste: o que é a loucura? é a loucura realmente tão louca quanto dizem? e ainda, sobre como a sociedade é responsável pelo endoidecimento de pessoas sãns.

Meu amigo Aurélio Século XXI diz que a loucura é o estado ou a condição do louco, é a falta de discernimento, a irreflexão, o absurdo, a insensatez, a doidice, a louquice, a maluqueira, a maluquice e a malucagem. A minha amiga Wikipédia diz que é uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados "anormais" pela sociedade. Certo. Digo desde já que não falarei da patologia em si, isso fica para os profissionais (que creio serem mais loucos que os próprios loucos para conseguirem lidar com a loucura), irei tão somente me dedicar a tentar passar minha transtornada opinião.

É costume questionar a lucidez de todo aquele que se apresenta de maneira divergente do resto das pessoas. O modo de se vestir, a maneira de falar, o comportamento, as idéias, dentre outras coisas, são prontamente analisadas pelos "normais" e de imediato censuradas quando não seguem os padrões da sociedade, como se ter opinião própria fosse algo proibido. "Tenha opinião própria, desde que seja igual à nossa". Isso sim não faz sentido.

Vejam bem, um canibal é um louco, certo? Por quê? "Porque ninguém come carne de gente e matar pessoas é errado, oras!" Ok, mas, e quem disse que estamos certos? Estamos certos sim, mas no limite das nossas leis e costumes sociais, contudo, isso não faz delas verdades universais imutáveis. Existem tribos ainda nos dias de hoje nas quais é normal comer carne humana, para eles nós é que somos os doidos e não sabemos o que estamos perdendo (vá lá neles dizer que eles são loucos e que estão errados pra você ver...). Essa loucura é tão somente uma contradição ao cotidiano, à nossa realidade. É claro que eu usei um exemplo extremo, mas que se aplica do mesmo modo a fatos simples, mas que ofendem muito àqueles que são os considerados loucos, mesmo que loucos por opção própria.

De outra forma, é mais comum do que se pode imaginar o fato de pessoas aparentemente normais pirarem da noite para o dia devido à pressão psicológica imposta pela sociedade. O mundo em que vivemos não é justo, ele exige muito do indivíduo, ele estressa, ele impõem, ele suga até esgotar todas as fontes de energia, acabando totalmente com a saúde física e mental daquele que escolhem como alvo, ou, no caso, que se predispor à tal posição (não falo, pois, de predisposição genética, mas sim de predisposição social).

Nesse mundo capitalista extremamente consumista que nos rodeia você é o que você tem, se não tem, não é ninguém (rimou!). Há esta preocupação exacerbada com aparências e posses e todo este exibicionismo e autopromoção que vão, aos poucos e cruelmente, esmagando e retirando do caminho aqueles que não conseguem entrar no ritmo. Este terrorismo social, onde a busca pela ascensão se faz primordial, é capaz de perturbar a mente daqueles que almejam elevado status, cria a mentalidade de que é preciso ter grandes posses a todo custo e leva fatalmente à frustração - que em doses excessivas pode criar aberrações.

Enfim, vimos aí dois tipos de loucos: os que assim são por opção, mas reprimidos pela sociedade, e os que foram impostos a essa fraqueza mental pela própria sociedade. A meu ver, para melhor viver, você tem que ter consciência de sua loucura e não se envergonhar dela nem se deixar reprimir, pois, se você não a assumir, virão até você e farão com que você assuma a loucura deles... e viver a loucura dos outros não é nada bom.

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O parágrafo destacado no início é de um texto de Carolina Hanke, a Carol-ol-ol, o qual recomendo a leitura na íntegra no link abaixo:

4 comentários:

Saulo disse...

Texto inspirado.

Anônimo disse...

Inspirador, Agora vejo que tamben sou louco.

gabidogato disse...

Melhor ser louco que deprimido.

=|

Anônimo disse...

rapaz, ninguém deveria ficar louco de frustração social não. por que isso é escolher passar a vida "morrendo disso, por que quer aquilo".
é uma forma de sofrimento? sim. mas a vida vai além. bem além.

historicamente a humanidade prova que somos loucos sim. essa é a principal característica humana, de perto somos todos loucos. não conheço 1 pessoa normal. nenhuma.
algumas pessoas sim são mais auto-destrutivas, outras mais insatisfeitas e outras mais resolvidas.

mas o que importa é não sermos obscenos e ocupar-nos apenas com a nossa própria loucura, que já dá muito trabalho.
ou seja, não me atrapalhe com sua loucura que eu não lhe atrapalho com a minha.
o problema é que cada tem um conceito próprio de "mal-estar"... o que me deixa mal pode não lhe deixar.
e foi pra isso criaram esse tal de respeito.

enfim..

andréia

layout por WART :]