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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Galáxia

por Tahiane

Venho
de toda parte,
de toda estrela,
de toda arte...

Sofro,
no entanto,
Canto.
Não sou de Marte...

sábado, 17 de outubro de 2009

Poema em (R - E) volução

por Tahiane



Só acredito nas mentiras
bem contadas
Prefiro os debates
de eficácia
Os conselhos dos inimigos
mortais

Ando por ai
sem medo
A garrafa é lei
Molotov no governo
A ordem agora
é queimar

Me passem as armas
As valas
As balas
Explodam granadas
Destruam
a calma

As paredes gritam
sem parar
Palavras
apalermadas
Tinta, papel, graxa
Amor, paz, liberdade

Ouço um choro
de criança
um estrondo
- e o silêncio
Acalmo a consciência
E durmo

Deus me compra coisas bonitas


Arte em Stencil: Banksy

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Memorandos

por Tahiane
Esses versos são de um cara que não é reconhecidamente um romântico, alguns o consideram até subversivo demais, esse doido é o bancário/compositor/poeta/louco Rogério Skylab. Eu conhecia apenas sua obra musical, até que um amigo me emprestou um livro dele "Debaixo das rodas de um caminhão", onde foi publicado este poema:

Rogério Skylab



Memorandos


Releio rascunhos das cartas de amor

e não duvido tê-los escrito.

Duvido tê-los sentido

- como se amar fosse impossível.

Releio como se pudesse apalpar

e só restasse o vazio.

É que, quando escritas,

as palavras pareciam outras.

Hoje são ocas.

Então fôra pra isso ?

Releio cartas de amor e não duvido

que pudessem elas enganar-me tanto.

Foi quando descobri os memorandos

- rápidos e sem nenhuma sutileza -

como uma porrada no estômago.



Peço desculpas pela demora mas acabo de me mudar e estou sem internet (sem móveis e sem grana também). Prometo que tentarei postar mais vezes. =)

domingo, 19 de julho de 2009

Confessionário

por Tahiane

I

Nunca fui poço de candura

nunca fui moça prendada

nunca me joguei da janela do quinto andar

não sou tudo, nem sou nada

nem navio, nem jangada

sou apenas alto mar...


II


Ando cansada de mim

E do frio que me rói os ossos

(em noites enluaradas)

E da febre que teima em ficar

Só pra me deixar em casa

Protegida da dureza do asfalto

E da incerteza dos amores sem asas

Quero brasa, calor, fins de tarde

Quero braços seguros

Abraços demorados

(segredo de estado)

Não relembrarei mais qualquer passado.


Quero a beleza das acácias em dias de sol,

Não o frio glacial das garrafas vazias...

Não vou mais chorar pelo vinho derramado.

Ando cansada das ressacas, das carcaças

E dos rostos de pessoas vazias

Que já foram embora

E eu nem percebi

Mas levaram consigo um pedaço de mim

Meus últimos olhares ensolarados

Guardados de amigos que eu não enxergo mais

A morte é mesmo de total confiança

E, nessas horas (não se pode negar)

Bastante conveniente...


III

Acordada,

(amanhecendo no sofá)

Sozinha,
sem cigarros...

A vida vazia,

O corpo dolorido,

A mente vazia,

O rosto sem vida,

A casa vazia,

A música que nunca para.

"Foi apenas um sonho"

-Melhor assim

quinta-feira, 16 de julho de 2009

por Tahiane

Abraço

Tua pele estampada
contra minha pele pálida...

Somos dicotômicos,

até certo ponto

de encontro...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Imagens e Palavras em Caicó

por Tahiane

Foto: Tahiane Macêdo

''No quadro, todas as horas do dia
penduradas na parede. É o tempo.
Num quarto de tempo, parto.
Vou-me embora com as horas.''

(Ana de Santana)

Foto: Andréia Nobrega

"Quando um que-fazer
de tarde se preparando para chover
ameaça o dia
- nuvens baixas, ar comprimido,
iminência do cinza -
preparo-me para navegar abismos"

(Ana de Santana)

Foto: Tahiane Macêdo

"O tempo
- cortina de céu-
destila lucidez
em gotas
sobre minha esperança
fatigada
O tempo
é onda
onde em mim
tudo
nada"

(Camilo Rosa)

Foto: Andréia Nobrega

"Lágrimas de vidro
florescendo no rosto
cortado pelos vícios
que lapidam a solidão"

(Camilo Rosa)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Insônia

por Tahiane

Há muito tempo perdi o sono...
Desde então caminho a noite
E a noite caminha comigo...
Minha companheira inseparável
Até nos tempos de chuva...
Quando todos os morcegos espreitam
Nos tetos dos antigos sobrados de portas enormes...
Quando todas as crianças dormem
Quando as mocinhas sonham
Quando a mascara cai
Eu saio...
A noite me torna noite,
Durante o dia, desmaio...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A morte do palhaço

por Tahiane

Parem o mundo!
Um palhaço morreu...
Passem de longe os homens de má índole!
Passem de longe as pessoas sem coração!
Passem de longe as beatas e os publicitários!
Morreu um sorriso...
Murchou uma flor...
O palhaço da lágrima de nanquim,
Morreu de nariz vermelho...
Morreu como viveu
Perguntem ao elefante,
Ele certamente se lembrará...

terça-feira, 16 de junho de 2009

Poesia Passional

por Tahiane
Uma coisa que eu sinto falta nesse blog é poesia... Talvez por que muitos homens não se interessam por esse tipo de arte, e eu sou a única mulher neste blog machista! Então resolvi publicar algo que eu escrevi. Sem pretensões. Não me sinto segura quanto aos versos aqui publicados, nem quanto aos versos que estão guardados no fundo das gavetas e em velhos cadernos, apenas resolvi dá-los uma chance de existir, de fato, para o mundo. As coisas, por menos que você acredite nelas, merecem uma chance. Esses versos também não tem um título... nem eu quero que tenham... assim fica mais fácil de serem esquecidos por quem não gostar. Aos que gostarem, estarão sempre por aqui...

Não me venha com poesias sobre poetas
O maior problema do poeta é a própria poesia
E todas aquelas regras gramaticais a quebrar
Por isso faço escola de direção
Quebro alguns cones, alguns ossos
E saio por aí ouvindo musica alta
Nas ruas cheias de garotas sem rosto
Que vendem o corpo num copo descartável...

Não me venham escrever poesia
Nesta casa os poetas não são bem vindos
Nem sequer deixamos entrar testemunhas de Jeová
Quanto mais um bando de palhaços com canetas
Acham que tem tudo, que sabem tudo
Rimam a vida que nunca tiveram
Enchem os próprios ouvidos de mentiras
Bebem todo o vinho e depois choram...

Não me venha com essas histórias de poesia
A arte pra mim não passa de uma grande caixa cheia de idiotas
Idiotas com canetas, boinas e vinhos baratos...
Não tragam um poeta a minha casa
São mini figuras de gesso,
Fingindo olhares ciganos e beijos de moça...
Os poetas eu não permito que entrem
Se quiserem um amor, esperem na porta.
layout por WART :]