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terça-feira, 11 de agosto de 2009

É "Nós na Tela"!

Geraldo Cavalcante, roteirista e representante da Fundação José Augusto
(foto do blog casadeculturajs.blogspot.com)


Como parte de um projeto que a Fundação José Augusto trouxe a Caicó, no mês de março desse ano aconteceu a primeira oficina roteiro para cinema "Nós na Tela", ministrada pelo roteirista potiguar Geraldo Cavalcante. Esta se tratou do pontapé inicial na produção cinematográfica no interior do estado, teve duração de uma semana e ocorreu também em outras cidades seridoenses.

Durante os dias da oficina os participantes trabalharam conjuntamente os fundamentos básicos acerca da escrita do roteiro e mais: construção dos personagens, perfil dos personagens, arquétipos, argumento, gêneros da narrativa, escaleta, enquadramento e planos. A partir dai os participantes escreveram seus roteiros, dentre os quais, um destes foi escolhido para ser filmado.

Agora, retornando à Caicó, Geraldo traz outra oficina, desta vez voltada para a direção - iniciada segunda, 10 de agosto e com encerramento dia 15/08. O roteiro escolhido para ser filmado foi o "BELÍSSIMA", escrito pelo artista plástico Custódio Jacinto e trata-se de um curta em formato Doc/Drama sobre a vida de Mané Mulher, figura folclórica caicoense.

Para adentrarmos melhor ao universo do cinema, fizemos uma entrevista com este roteirista de cinema e televisão, que atua também em Cuba, na cidade de Havana. Geraldo vê nessas oficinas a oportunidade para a realização de muitos outros trabalhos e a chance de inserir o interior do estado na produção audiovisual de fato.


Como surgiu a idéia de trabalhar o cinema no interior do estado?


- Nós, da Fundação José Augusto, percebemos que as ações do audiovisual estavam muito voltadas para a capital do estado. Nós sabíamos também que já havia uma produção no interior e então resolvemos sistematizar esse conhecimento, agregando teoria e técnica à prática que já acontecia, para tornarmos isso público. Além disso, está sendo implantado no estado o Núcleo de Produção Digital, que foi criado pelo programa Olhar Brasil da Secretaria de Audiovisual do MINC (Ministério da Cultura), que oferece equipamentos de última geração para capitação de som e imagem digital, além de ilhas de edição a todos os realizadores do estado, a título de empréstimo. Porém, para que se possa fazer uso desses equipamentos foram estabelecidos alguns critérios, dentre os quais, que as pessoas estejam capacitadas a utilizá-los. Como a maioria dos profissionais qualificados encontram-se na capital, então resolvemos trazer o "Nós na Tela" para formar mais profissionais no interior do estado para que possam ser contemplados com esse programa também.


Quais foram as suas primeiras impressões acerca deste trabalho?

- Uma das coisas que me entusiasmou foi sentir a vocação das pessoas para o audiovisual e a outra foi a experiência forte com o teatro que a cidade tem. Apesar de serem trabalhos diferentes, possuem um formato parecido, além da vontade das pessoas em trabalharem com isso. Caicó já possui outros trabalhos no cinema, como por exemplo o filme "Boi de Prata", conhecido nacionalmente, tem o diretor Edson Soares, temos as cenas de Moacir Góes do filme "O Homem Que Desafiou O Diabo" que foram gravadas aqui, dentre outros trabalhos. Caicó transpira audiovisual e é uma cidade fotogência por natureza com potencial para desenvolver essa arte.


Você já trabalha há alguns anos como roteirista, inclusive fora do país. Ao seu ver, o que é primordial para que se escreva um bom roteiro?

- SENSIBILIDADE. Espírito instigador. Você deve sentir-se impulsionado a buscar a informação. O bom roteirista põe a câmera no ombro, o gravador na bolsa e sai ao encontro da estória, é necessário que se tenha essa vontade de buscar.


Existem outros projetos nesse sentido a serem aplicados na cidade de Caicó?

- Como falei anteriormente, o Núcleo de Produção Digital objetiva ampliar suas ações ao interior do estado e vê Caicó como um pólo a ser contemplado. O próprio "Nós na Tela" ampliará suas atividades trazendo outras oficinas de maquiagem, direção de arte, interpretação, dentre outras.


Em sua opinião, qual rumo o cinema brasileiro vem tomando atualmente?

- Nós estamos no rumo certíssimo, estamos vivendo um ponto de virada no cinema brasileiro, um novo momento. Dado o fato de que temos um Ministério da Cultura que instituiu uma Secretaria para o audiovisual realmente voltada para o fomento do produto cinematográfico brasileiro. A exemplo disso, temos ações como o DOC TV e o Revelando Brasis, bem como os editais do MINC. Por outro lado, estão sendo criados espaços alternativos de exibição do cinema brasileiro. Dessa forma, temos como corrigir a distorção que havia em relação à exibição. No Brasil, o cinema não sobrevive unicamente das salas, o que torna sem sentido a briga por cota de tela. Até por que as salas de cinema são elitizadas, nem todos os cidadãos têm acesso. Pautado nisso é que o MINC criou esses programas que estimulam a abertura de espaços alternativos de exibição e de estímulo ao movimento cineclubista brasileiro, essas ações além de democratizar o acesso ao cinema nacional, também oportunizam ao realizador brasileiro mostrar seu trabalho.




Quem estiver interessado em criar projetos voltados para o audiovisual e participar das oficinas do Nós na Tela, procure Custódio Jacinto na Casa de Cultura de Caicó, por trás da matriz de Sant'Ana.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

"Travesti também tem sonho de cinderela"

por Tahiane
A natalense Leilane Assunção cursa doutorado em ciências sociais, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Aos 28 anos, dos quais 18 foram vividos num corpo de homem, é a segunda transexual doutoranda no Brasil, também foi a primeira do RN a ingressar numa instituição de ensino superior.

Você é a segunda transexual brasileira a cursar doutorado. Quando você descobriu isso?
Eu não tinha nem acesso a essas informações sabe? Confesso que sempre fui muito desengajada dos movimentos sociais de cunho gay. Eu tenho uma crítica muito forte em cima desses movimentos, em termos de Natal pelo menos que é a minha experiência. Então, conseqüência inclusive desse desengajamento, eu acabei ficando alheia em relação a como isso estava acontecendo. Pra mim isso também foi uma surpresa, eu não sabia de nada. Resta saber quem vai ser a primeira a defender a tese né? Eu acho que uma corrida saudável acaba de se iniciar entre eu e ela. (risos)

Agora que você conhece as estatísticas, e a partir do momento em que isso se torna público, você se torna um exemplo. Como você lida com a responsabilidade de ser referência?
Há algum tempo eu comecei a ter clareza de que eu poderia em algum momento vir a desempenhar esse papel, principalmente quando eu me encaminhei pra terminar a graduação. A partir do momento em que eu terminei a graduação e entrei no mestrado, eu comecei a perceber o assédio moral de outros gays já me buscando como essa referência. E, confesso, é muito complicado porque as pessoas às vezes perdem um pouco a distinção entre a admiração e a imitação. Hoje, já no doutorado, com os amadurecimentos intelectuais que vêm se processando em mim, eu já começo a ter outra clareza dessa idéia de referência. Então, hoje eu compreendo um pouco melhor e acho que estou mais preparada para responder a essas solicitações, no entanto, essa coisa de “Leilane referência” eu quero que se manifeste como uma coisa intelectual, não como um modelo de transexual perfeita.

Você já tinha amigos gays e transexuais antes? Como foi a aceitação desses amigos quando você resolveu virar transexual?
Já... Mudou radicalmente. Quando eu era gay eu tinha uma relação melhor com os outros gays, quando eu passei a ser transex, eu passei a ter uma relação melhor com os outros transex. Por que dentro do meio existe muita rivalidade, muita intriga, disputa entre gays e travestis. Muitos amigos meus gays passaram a me discriminar, pararam de freqüentar a minha casa, não mais me convidar à casa deles...

Então existe preconceito dentro do próprio meio...
Às vezes ele é até mais violento do que fora do meio. Não que isso vá servir para justificar o preconceito hétero em relação à homossexualidade, já que existe preconceito contra a homossexualidade dentro da própria. É outra dimensão do preconceito que precisa ser igualmente combatida.

Como foi esse processo de inserção na universidade? Você já era transexual antes de entrar na UFRN ou foi um processo que aconteceu durante a vida acadêmica?
Aconteceu durante. Antes de entrar na universidade eu via em filmes, em novelas, onde muitas vezes se mostrava a experiência universitária como um divisor de águas, e eu almejava isso. Para mim foi nesse sentido mesmo, eu entrei uma pessoa e hoje sou outra. Quanto ao processo de inserção, eu posso lhe dizer que não foi nada fácil e continua a não ser. Eu vou usar uma frase do velho lobo Zagalo que diz: “Vocês vão ter que me engolir”. E eu acho que é mais ou menos isso que eu estou fazendo com a UFRN, a universidade tem que me engolir. Tem que me engolir porque simplesmente eu tenho os méritos para isso. Eu venho, desde a graduação, construindo uma trajetória intelectual, sócio-cidadã de respeito, digna, abrindo esse espaço cada vez mais. E eu sei que quando eu abro esses espaços eles não são só para mim, em longo prazo, eles são para o gênero.

Você sofreu preconceito dos funcionários da universidade também?
De toda sorte de criaturas. Passando por funcionários, seguranças, estudantes, professores, visitantes... Em todos os meios sociais nós encontramos pessoas preconceituosas. Eu não sei quando é pior: se é quando elas são instruídas ou quando elas são ignorantes. Por que quando elas são ignorantes o preconceito é vulgar e quando elas são instruídas o preconceito é cínico. Eu não sei qual é o pior, mas prefiro o cínico porque me permite responder à altura.

Geralmente existe um preconceito familiar enorme quando se é gay, e muito maior quando se é transexual. Como a sua família encara a sua situação?
Hoje em dia está mais tranqüilo, exatamente por causa dessas conquistas que me deram legitimidade dentro de casa. Então, por exemplo, eu sou de uma família de professores, tenho três irmãs professoras, uma inclusive mestre em ciências sóciais pela UFRN, ela foi até o mestrado e parou, ou seja, eu vou ser a primeira doutora da família e eu sou a filha mais nova.

E na época? Como sua família encarou?
Foi o seguinte: eu venho de uma família protestante, puritana, passei a minha adolescência incólume sexualmente, eu perdi minha virgindade aos 19 anos. Mas, por quê? Porque eu estava envolvida dentro de um conflito moral muito pesado dentro da formação que eu tive, o conflito da descoberta da homossexualidade aos 12, dos 12 aos 15 eu passei por um processo de depressão profunda, de negação. Dos 16 aos 18 eu passei por um processo de aceitação, uma fatalidade da vida: eu sou assim, não vou poder mudar. Não adianta nada pedir a Deus para dormir e amanhecer menina que isso não vai acontecer, porque eu, na minha ingenuidade, aos 12 anos, criada em igreja evangélica, tive coragem de pedir isso a Deus. E aí aos 18 chegou aquele período da aceitação que eu não me contentava mais em representar um papel social pra agradar a minha família. Cadê as namoradas que nunca apareciam? Eu era delicado, franzino... Sai de casa e me assumi. Mas dos 18 aos 21 eu passei por outra depressão profunda. Eu me assumi e não conseguia ser feliz ainda. Pensei “não adianta, um homem nunca vai me ver como mulher e me satisfazer sexualmente como eu desejo na condição física masculinha em que estou”. Nessa fase eu já cogitava virar travesti, mas eu pensava “E a carreira acadêmica? E os amigos? E a família? E os empregos?”. Mas um dia eu chutei o pau da barraca e pensei que nada iria valer a pena se eu não fosse feliz. Sumi da vida familiar por seis meses e comecei o meu processo... Só que a vida me fez ter que voltar pra a casa da minha mãe sem nada, depois de 4 anos morando só, acima de tudo nessa condição nova que ela ainda não conhecia.

Como ela reagiu a isso?
Quando eu cheguei em casa ela quase caiu pra trás. E começou a combater de todas as formas, ela tinha vergonha quando o pessoal da igreja chegava. Eu entendo o lado dela... Na época foi muito dolorido ver isso, mas serviu pra mostrar que a vida não é como a gente quer, a vida é como ela é! O tempo foi passando, eu virei bolsista CNPQ na graduação, minha orientadora foi lá em casa e me elogiou, eu terminei o curso, entrei no mestrado, mamãe fez uma festa de aniversário pra mim e vários professores meus foram, me elogiaram também. E o tempo todo naquele diálogo dentro de casa: “mamãe, o fato de eu ser travesti não significa que eu não tenha valores, que eu não tenha moral, dignidade”. Então, de tanto bater nessa tecla, de tanta conversa, de tanta conquista, eles cansaram de lutar contra. Eu sei que não é uma satisfação, acho que, com a idade que eu tenho, minha mãe queria que eu tivesse uns três filhos e fosse pastor de uma igreja evangélica.

Você luta pela cirurgia de mudança de sexo pelo SUS. Como anda o processo?
Acho que não vai sair tão cedo... O ministério da saúde baixou uma portaria que os hospitais universitários têm que adaptar, tem um prazo, mas me parece que aqui em natal esses encaminhamentos estão muito lentos, muita desinformação. Já fui no (hospital) Onofre Lopes e disseram que não tem ainda nenhuma previsão. Está sendo muito combatido na justiça pelas bancadas católica e evangélica que consideram que o dinheiro que está sendo gasto nas cirurgias de transexuais é dinheiro publico, desviado de obras prioritárias. Eles entendem como um esforço absolutamente supérfluo de um indivíduo que nasceu num corpo com o qual não se identifica, de transformá-lo. Se eu morasse num grande centro, como São Paulo, certamente eu estaria bem mais próxima de conseguir isso. Eu estou indo no meu ritmo, o doutorado é uma prioridade acima dessa, hoje. Então, é muito nesse sentido, mas se eu morrer antes de fazer minha cirurgia não terei ido em paz.

Quais são seus planos para o futuro?
De imediato, é um doutorado brilhante, com intercâmbio na Alemanha, levar minha formulação às últimas conseqüências, se é que eu posso dizer assim... Eu quero ampliar meus horizontes intelectuais de trabalho, de epistemologia da ciência. Logo imediatamente depois, eu pretendo prestar concurso para alguma universidade federal brasileira. Não sei se da UFRN, mas, eu me vejo sendo professora da universidade publica brasileira. Me vejo com a cirurgia feita, o nome mudado, às vezes me vejo bem carola, conservadora, numa clássica família burguesa, travesti também tem sonho de cinderela. E às vezes me vejo também como uma mulher pós-moderna, independente, morando sozinha... A vida é quem vai me mostrar.

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Essa entrevista foi meu trabalho da 3º unidade da disciplina Oficina de Texto III, gostei muito do resultado e resolvi publicar aqui. Eu não fiz foto, então essa foto foi retirada na cara-de-pau do DN online. Espero que gostem.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Comando Etílico

por Tahiane
Essa é para os fãs de heavy metal! Depois do CD-demo "Metal e Prazer" (2007), a banda potiguar "Comando Etílico" lança agora seu primeiro disco. O álbum "Comando Etílico" (2009) já está pronto e promete seguir a mesma linha de Metal e Prazer, heavy metal cantado em português, cozinha crua e uma guitarra furiosa.

O Comando foi formado em 2003, em Natal-RN, pelos irmãos Praxedes (Lucas - guitarra e David - baixo) e passou por algumas mudanças até atingir a formação atual, com Hervall Padilha (vocais) e Kléber Barboza(bateria).

Inspirado em bandas brasileiras da década de 80 como Harppia, Salário Mínimo e Azul Limão, o som do Comando Etílico é heavy/trash metal cantado em português e muito bem tocado. Os caras já tocaram em vários estados da região Nordeste, sendo que aqui em Natal, pelo menos, os caras dispensam apresentações. Também já tocaram em Caicó duas vezes: no I e II festival Caicó Subterâneo, e a resposta do público foi ótima.

O CE já foi resenhado na revista Roadie Crew #115 e recebeu vários convites para tocar em outras regiões, mas a banda preferiu esperar o disco sair. Eles são muito profissionais e vale a pena conferir o trabalho deles.

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Eu conversei com o vocalista do Comando, Hervall Padilha, que falou sobre o novo álbum:

Tahiane:
Pra começar eu queria que você falasse um pouco sobre esse novo álbum...

Herval Padilha:
Eu diria que são canções novas de uma mesma banda! A mesma pegada do CD-demo, temas variados e ainda cru e pesado como manda o figurino do Comando Etílico, muitas bandas mudam radicalmente de um disco ao outro, no nosso caso, apenas a produção está melhor pois tivemos tempo de elaborar melhor as canções. Quem gosta de "Metal e Prazer" lançado em 2007 irá gostar deste disco.

Tahiane :
Só musicas inéditas?

Hervall Padilha:
Sim, serão 10 canções inéditas.

Tahiane :
Quem compôs as letras?

Hervall Padilha:
Todas as letras deste disco foram escritas por mim. Mas isso não foi imposto e sim espontâneo. Tudo que fazemos é assinado pelo Comando Etílico e não por um membro em especial. Desde os riffs, aranjos e harmonias a até mesmo as letras.

Tahiane:
Como foi o processo de produção desse álbum?

Hervall Padilha:
Ainda viajando com a divulgação de "Metal e Prazer", definimos parar de tocar em casa e manter os shows fora, isso porque precisávamos parar pra compor e se tocássemos o tempo todo não sobraria tempo pra compor e arranjar o disco. Sendo assim, paramos por 1 ano e 4 meses entre composição, pré-produção, gravação e mixagem do disco. Algumas letras já estavam prontas e Lucas havia me mostrado duas canções já com o esqueleto delas completo. Em janeiro de 2009 tinhamos as 10 canções e começamos a ensaiar pra entrar em estúdio!

Tahiane:
O disco sai por qual gravadora?

Hervall Padilha:
O disco será lançado pela "Records" selo/gravadora e loja de discos aqui de Natal, capitaneada por Adriano Dio.

Tahiane:
Quem produziu?

Hervall Padilha:
A produção do disco é do Comando Etílico em parceria com Nilson Eloy. Trabalhamos juntos desde "Metal e Prazer" e o clima em estúdio com ele foi ótimo. Nilson, além de experiente, também é roqueiro de alma como nós e músico, isso facilita as coisas em 100% pois falamos a mesma língua.

Tahiane:
Já tem idéia de quando o disco será lançado?

Hervall Padilha:
Já está tudo pronto pra ir pra fábrica. Segundo a gravadora, o disco chega até o fim de Julho/2009, mas o lançamento nacional não tem uma data certa ainda. Foi tudo muito rápido, saímos do estúdio com "Metal e Prazer" e logo entramos para gravar "Comando Etílico".

Tahiane:
O que os fãs do Comando Etílico podem esperar desse álbum?

Hervall Padilha:
Nem sei se temos fãs, mas temos amigos! E esses podem esperar de nós diversão e sinceridade músical em relação ao Heavy Metal que tocamos! Esperamos que gostem tal ou até mais do que "Metal e Prazer". Já apresentamos algumas canções novas ao vivo e a resposta foi muito boa por parte do público.

Tahiane:
Obrigado Vall, e boa sorte com o disco novo...

Hervall Padilha:
Obrigado pela força e contem sempre conosco! Abraço à todos!

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Super recomendado.

Você pode sacar as músicas do CD-demo "Metal e Prazer" no MySpace da banda.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Yes, Nós Temos Punk Horror!

por Tahiane
Sertão Sangrento - formação original

As coisas iam bem na pacata cidade de Caicó, tudo em ordem, como esperam que seja na terra de Sant'Ana. As coisas estavam no lugar certo, a cidade respirava moralismo, as meninas iam tranquilas para a escola, o rock continuava à margem e, até este momento, ninguém, nem mesmo os roqueiros mais "doidões", fazia músicas sobre demônios, estupro, morte, pedofilia, serial killers e qualquer outro assunto considerado "extremamente repugnante". Até esse momento a velha história de que "rock é coisa do cão" era apenas um boato preconceituoso da parcela mais tradicionalista da cidade. Mas no fim de 2004 as coisas mudariam na pacata Caicó. No final desse fatídico ano surgiu o Sertão Sangrento.

Formada inicialmente por Ely (guitarra), Death (baixo), Markim (bateria) e nos vocais WART (sim, um dos membros deste Blog), o Sertão obedecia uma equação simples: punk rock cru, uma pitada de hardcore e muito, mas muito, sangue - e cerveja, é claro. Influenciados principalmente por Ramones, Misfits e Zumbis do Espaço e, aliada a isso, a mente doentia do vocalista e letrista WART, o Sertão logo ganhou as graças do público de Caicó e rapidamente se tornou uma banda bastante cotada para os "rolés" locais.

Ainda em 2006 foi disponibilizado o primeiro material da banda, o "CD virtual" Sangria em Patos, gravado ao vivo em Patos na Paraíba. Um ano depois, a banda abortou "Demo", trabalhando somente com músicas próprias. Em 2008 saiu "Sujo e Repugnante", originalmente gravado em uma fita K-7 em 2005 e, em 2009, o Sertão Sangrento lançou um álbum homônimo gravado no Santana Rock Fest, que foi a penúltima e uma das mais embreagadas performaces do vocalista WART. A banda ficou um tempo sem vocalista e quem assumiu os vocais nesse período foi o guitarrista Ely.

O Sertão Sangrento sobreviveu à saída de seu frontman, provando que não é apenas mais uma banda de garagem que vai morrer precocemente. Não. O Sertão Sangrento não acabou, e pelo visto não vai acabar tão cedo, pois quem assume os vocais do SS é mais um grande fã de punk horror, não podendo ser diferente, já que a banda já tem um bom tempo de estrada e não poderia deixar os fãns na mão. A nova formação conta com Popeye (Sim, sim, amigo leitor, mais um dos autores do Blog Subterrâneo), "el hombre lobo", o lobisomen, ou apenas Cleydson, se você preferir. Como todos podem ver, o SS continua entre amigos, e vai continuar seguindo a mesma linha "sangue, suor e tripas" de sempre. O microfone está em boas mãos. A maldição continua.

Popeye me concedeu uma pequena entrevista por MSN falando dessa novidade:

Tahiane diz:
Como surgiu a idéia de você assumir os vocais do SS?
- Popeye - diz:
Como tudo em minha vida, em uma birita. Troquei umas idéias com Markim, o batera, e rolou o convite.
Tahiane diz:
Rolou teste?
- Popeye - diz:
Eu já toquei com os caras em outros rolés... mais rolou um ensaio pra ver como que poderia ficar a coisa, pode se chamar de teste sim, hehehe. Deu certo.
Tahiane diz:
Muito animado com a nova empreitada? XD
- Popeye - diz:
Eu tô sim. Sempre curti punk horror e sou mega fã dos Misfits. Os caras são tudo gente boa e eu tava afim de me apegar a um projeto desses.
Tahiane diz:
Você organiza eventos de rock em Caicó há alguns anos e em vários deles o SS tocou. Fale da resposta do público à banda.
- Popeye - diz:
Vichi... sempre foi muito boa. O Sertão já é uma banda de nome em Caicó, das antigas. As músicas são fudidas e tem muita gente aqui esperando a demo deles... deles não, nossa, hehehe
Tahiane diz:
Você tem idéia de quando será o primeiro show dessa nova formação? Já que é você quem organiza os rolés provavelmente vai querer uma estreia logo... está ansioso?
- Popeye - diz:
Não tenho idéia ainda. O Death me disse hoje que poderia ser em julho, possivelmente em Natal. Mas tô vendo se rola uma festa antes pra ver como que vai ficar a coisa. Mas eu tê ansioso sim... acho que vai ser bem legal esse trampo.
Tahiane diz:
Valeu Popeye, boa sorte.
- Popeye - diz:
Valeu e vamo tomar umas!

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Eu desejo toda a sorte do mundo, não só porque os caras são meus brothers, mas porque eu curto de verdade o som do Sertão.

Baixe aqui a última gravação divulgada pela banda, ainda com a formação original: Sertão Sangrento - 2009

arte de divulgação da gravação
"Sertão Sangrento" de 2009


01. Vele Meus Ossos
02. Te Retalho e te Torturo por Prazer
03. Minha Querida, Estou querendo te Matar
04. Contos Reais
05. Prostitutas S.A.
06. Eu Sou um Estripador
07. Contatos Fantasmagóricos de 666°
08. The KKK Took My Baby Away (cover Ramones)
09. Comecei a Matar
10. Vida Solitária
11. Gosto de Matar
12. O Deus da Destruição
13. Satanás te Cuida
14. Verme (cover Garotos Podres)
15. Nos Braços da Vampira (cover Zumbis do Espaço)
16. Animal

Vídeo da apresentação em Natal, em junho de 2008:

layout por WART :]