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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

2010 e a Consciência

por WART
Ano novo, vida nova... ou então a mesma coisa de antes; tempo de mudar, ou de ficar do mesmo jeito (ah, como eu gosto da simplicidade das dualidades). Você escolhe o que é melhor pra você, nem preciso dizer isso. Hoje, todo mundo sabe (ou pensa saber) dos seus direitos e da dita indelebilidade dos mesmos.

Eu estava pensando em escrever um texto longo e chato sobre isso, mas, ainda bem, eis que me deparo com uma pérola que diz exatamente o que penso sobre essas coisas. Vai aqui, na íntegra, como está no site original:

FUME!

Foto "chupada" do Blog do Guilhon.

Existe na vida de cada cidadão (se vosmicê não sabia), uma prerrogativa chamada livre-arbítrio, a qual dá o direito a qualquer semovente humano na face da terra, de fazer o que lhe der nas ventas. É aquele mesmo que Raul Seixas falava em Sociedade Alternativa, "faça o que tu queres, pois é tudo da lei", lembra?

Pois foi montado nesse argumento que Jojó Carvalho, fumante velho inveterado, foi querer subverter a ordem anti-fumacista da residência de seu colega Gaudêncio dos Anjos. A estória começou assim: Jojó, se queixando de dificuldades bilau-levantativas e falta-de-ar crônica, além de dor aguda na cacunda, lá dele; recebeu do médico o seguinte diagnóstico -"Pulmão avariado e trincamento varizístico entre o fiofó e a base dos ovos. Descompassamento cardíado e pólipos neuro-cebáceos no terminal do tubo digestivo".

Daí, a mulher do dito cujo, que, por causa destas mazelas, já vinha brindando-o com chifres e mais chifres - no varejo e no atacado -, resolveu abandonar o corno velho de vez.

Ele, então, pediu asilo na casa de Gaudêncio e foi logo pregando: "Não venha reclamar do meu fumo pois, o tabagismo é a mais inocentes das atividades sócio-recreativas humanas". E disse mais: "Eu tô respaldado no meu livre-arbítrio, coisa que permite a qualquer cidadão rasgar dinheiro, ser corno manso, votar em político corrupto, nadar no rio Tietê, queimar o anel e etc, se assim lhe aprouver"! Disse tudo isso, tossiu e caiu duro pra trás, finou-se, mor-reu-eu-eu-eu! Dona Fideralina, esposa de Gaudêncio, olhou o defunto e asseverou: "Livre-arbítrio é? O povo se apega a cada besteira!".

Pronto, aí está. De onde tirei isso? Do blog desse menino:


E esse é o link da postagem original: Blog do Falcão.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Revoluções cotidianas - Freeganismo

por Tahiane


Freegans coletando alimentos

Você comeria algum alimento retirado de uma lixeira? Pois é exatamente isso o que os freegans (junção das palavras free + vegan) fazem, eles coletam alimentos encontrados no lixo, que ainda estão em bom estado, e podem ser consumidos. Para algumas pessoas comer lixo é uma idéia impensada e nojenta, mas existem freegans que nunca entram em supermercados, sobrevivem apenas dos alimentos que são jogados fora. E é muito! Segundo o instituto Akatu de consumo consciente cerca de 1/3 dos alimentos que vão para a mesa do brasileiro acabam no lixo, além disso, existe uma lei que proíbe que restaurantes e supermercados doem a comida que sobra. Todos os dias toneladas de comida de restaurante são jogadas no lixo no Brasil.

Um dos ativistas mundiais do movimento freegan é Adam Weiss um americano de 31 anos que vive em um escritório abandonado no Brooklyn, Nova York. Adam escreveu um manual,que ele chamou de “Revoluções cotidianas, práticas e instruções para viver além do capitalismo na vida cotidiana”. Segundo o autor “Nós devemos mostrar que nossas vidas não dependem em jogar ‘pelas regras’ como trabalhadores e consumidores obedientes e passivos, e para isso devemos demonstrar novas e melhores formas de sobreviver e prosperar.”

Mesmo que você não tenha interesse nenhum em comer lixo ou deixar seu carro na garagem, baixe o livro, ele dá dicas muito legais para diminuir o consumo e o desperdício. São só 14 páginas, da pra ler rapidinho, vale a pena sacar. E se você acha que isso de sustentabilidade é lorota, espera alguns anos tah?

Para saber mais indico aqui duas excelentes matérias sobre o assunto, que podem ser encontradas no portal Planeta Sustentável:

Sobre Adam Weiss e as Trashtours leia: Manhattan: o paraíso do lixo, da Tania Menai.

Freeganismo no Brasil, leia: Existe Almoço grátis. Mas é um lixo, da Bianca Nunes.


Para baixar o manual escrito por Adam, Clique aqui

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Maconha: Por que legalizar?

por Tahiane
Você é a favor ou contra a legalização da maconha? Eu sou a favor. E quer saber? Não acredito em uma única palavra daqueles que defendem a criminalização de uma planta que está aqui antes dessa ignorância toda. Eu ia escrever um texto sobre isso mas preferi indicar esse vídeo aqui. Muito esclarecedor.




E você, é contra ou a favor da legalização? Opine, é importante.

sábado, 15 de agosto de 2009

51 - Uma péssima idéia

por Tahiane
Essa semana teve jogo do América. Após a minha aula, eu peguei um ônibus da linha 51, que passa por alguns bairros "barra pesada" aqui em Natal. Tudo estava normal, até que subiu uma galera da "Máfia Vermelha". Eles subiram fazendo barulho, muitos passaram por baixo da roleta. O motorista reclamou e pediu que todos descessem, então começou uma confusão. Os torcedores saíram depois de muita gritaria e começaram a chutar o ônibus e a jogar pedras; uma acertou uma janela e feriu a perna de um rapaz. O motorista foi até a delegacia prestar queixa e depois o ônibus seguiu seu roteiro normal.

Confesso que fiquei bastante assustada, pois nunca havia presenciado um ato violento desse tipo. É impressionante como o “amor” a um time acaba se tornando violência sem sentido. Não é por uma causa, não é pelo time, não é por causa do sistema, àqueles que sempre têm uma desculpa do tipo. É pelo simples prazer de provocar medo, destruir, prejudicar. Será a falta de instrução a culpa desse ato idiota e sem sentido? Quando se olha de fora é bastante fácil achar brechas e dizer que é tudo culpa da situação, mas quando acontece com a gente a história é outra.

Eu não gosto de futebol, não gosto de ir ao estádio, não gosto nem de jogo da seleção brasileira. Acredito que, se esse tipo de violência acontece antes do jogo, nos estádios é bem pior. Enquanto as torcidas organizadas ficam fazendo esse papel ridículo, o “pão e circo” continua, violência dos dois lados: governo e população. Ver pessoas se matando e matando por algo que deveria ser tão saudável é realmente uma lástima. Parece que o sonho da boa educação ainda está muito distante.

Enquanto eu, que só queria voltar pra casa, estava abaixada no ônibus pensando: “tomara que não acertem minha janela”. E eu só queria voltar pra casa...

sábado, 8 de agosto de 2009

George Carlin

Um dos caras mais fudidos no Stand-up Comedy, com toda certeza, foi o George Carlin. O cara foi o mestre e sabia do que estava falando. Quando se lançava em assuntos que fugiam do normal (para este estilo de comédia), como por exemplo: drogas, religião e toda ordem mundial, ele conscientizava as pessoas e ao mesmo tempo as faziam rir pra caramba.

Infelizmente ele morreu há uns anos atrás, não me lembro bem ao certo e estou com uma preguiça enorme de procurar aqui, mas deixo aqui um vídeo de uma de suas apresentações, realmente é inspirador.


segunda-feira, 13 de julho de 2009

13 de Julho: Dia Mundial do Rock

por Icaro
Por Márcio Death

Rapaz, eu descobri que a vida não era tão horrível quanto parecia lá pelos meus 11 anos de idade, quando escutei um rockzinho maroto pela primeira vez.

Daí já se passaram outros 19 anos, e eu agradeço eternamente por nunca ter me tornado um forrozeiro de bosta, ou um fidumaputa de baladinha e dance music, e essas porcairas que há por aí.

Ainda tive a sorte de ser do interior, onde rock era coisa do capeta e cabeludo era maconheiro e tatuagem nem pensar, só se fosse de cadeia.

Era bom demais andar no meio daquela gente ignorante cheio de pulseiras pontudas, todo de preto e com calças rasgadas, e o melhor de tudo, sempre curtindo o bom e velho rock'n'roll, porque ele é e sempre será o centro de tudo na minha vida.

Foram tantas confusões em casa por causa dos discos, do volume, das roupas e do cabelo que eu nem me lembro mais.

Só sei que não faria nada diferente, não seguiria outro estilo de vida, ainda que isso me custasse algumas coisas.

Mas só o que me custou foi muita diversão, muita birita, pouca mulher, e tudo que o rock costuma proporcionar.

Fico puto com esse povo de hoje, desculpe alguém se a carapuça servir, que prefere estar na merda da internet falando bosta do que ir a uma boa festinha de rock, ou do que sair pra tomar uma com os amigos e curtir um bom rock, e enchem o saco falando de bandas porcarias, de rock modinha, de rock viadinho, como se isso fosse rock de verdade.

Mas bem, se é assim que essas pessoas se divertem, eu devo aceitar, mesmo que sinta pena delas.

Mas rock é diversão, em todos os sentidos, só isso e nada mais, é pura curtição, zoação, enfrentamento de limites estabelecidos por imbecis que se acham donos do mundo e das mentes; é libertação.

Escrevo isso enquanto escuto "Arise", do tempo que o Sepultura prestava, e daqui há pouco vou botar Ramones pra tocar.

FELIZ DIA MUNDIAL DO ROCK PARA TODOS!
FELIZ NÓS!
INFELIZES OS OUTROS QUE NÃO SABEM O QUE É BOM DE VERDADE!

O melhor de tudo é ver que Caicó, esse cu-de-mundo-sujo-e-fedidinho, depois de quase 20 anos ainda mantém viva, e muita viva, a chama do rock.

Caicó teve sua primeira festa de rock muito antes de Natal e de outras cidades e capitais do Nordeste, pouco tempo após o Rock In Rio I, em 1985.

De lá pra cá já houve altos e baixos, poucas e boas, muitas e ótimas, e o negócio não teve mais fim.

Até hoje estamos aí, são bandas em atividades, festas rolando, gente se organizando pra ir a festas em outras cidades, cachaça todo dia e rock tocando alto, o tempo todo.

Muitos dos antigos se foram, se perderam no tempo e provaram que não eram de verdade, mas muitos ainda estão aí, com força total.

Meus cabelos já caíram aos montes, não uso mais as pulseiras com pregos e nem as calças rasgadas, ou melhor, não tanto quanto antes.

Mas ainda estamos aí, somos muitos, somos vários, de muitas raças, mas com um gosto certo no que é bom e divertido.

Não sou eclético, não sou compreensivo, odeio todo o resto, forró moderno, pagode, axé, sertanojo, e outras bostas e quero que todos morram horrivelmente. Não falo de Gonzaga nem de alguns MPBs porque eles serviram para muito do que temos hoje em várias vertentes de culturas diferentes.

Mas se forem malditos modismos, esses, até os pseudo-rockers, me dão nos nervos.

Mas é isso aí, se todo mundo fosse igual a vida não teria a menor graça. De quem iríamos rir o tempo todo?

Pela segunda vez,

FELIZ DIA MUNDIAL DO ROCK PARA TODOS!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Naquele tempo era bom demais...


Pensando cá com meus botões e ouvindo os foguetões da rua lembrei-me do "meu tempo". Naquela época, não sei bem ao certo com quantos ano de vida eu contava, eu só lembro que julho era o mês mais feliz do ano. Bem no comecinho de julho todos entrávamos em férias na escola e era aquela farra, ao contrário de dezembro, no mês de julho ninguém viajava e sempre estávamos todos reunidos brincando, arengando, bagunçando e dando trabalho aos nossos pais.

As brincadeiras eram as mais variadas: havia o resto de fogos do são joão para soltar, podíamos brincar de esconde-esconde, jogávamos vôley com uma rede feita de cordão de estender roupa, corríamos no pega-pega, alugávamos mais de cinco filmes de uma vez só, podíamos andar de bicicleta até mais longe um pouco, íamos aos clubes caicoenses tomar banho de piscina aos sábados, gravávamos músicas nas fitas K7 para depois copiarmos a letra e dublarmos fazendo coreografias, dentre outras. Mas havia ainda outra característica especial do mês julho que era esperar a festa de Sant'ana começar. Esperávamos com a maior ansiedade do mundo a chegada dos parques, esta era maior ainda quando víamos algum brinquedo novo ser montado.

Lembro que todo ano eu fazia um cofrinho com uma margarina seca para juntar alguns trocados para gastar na festa, mas eu nunca conseguia resistir e gastava na outra semana. Ainda me vejo tomando "abença" àquele meu velho tio de oitenta anos que sempre retribuía com um "agradinho" em notas ou moedas. E quem nunca voltou para casa com a boca vermelha de tanto tomar sorvete de máquina? De fato que eles eram super-higiênicos para não dizer o contrário, mas quem se importava? Lembro também da surra e das boladas que eu tomei na cara na primeira vez que eu fui dar uns pulos no balão, nunca esqueci, mas também foi a primeira e última, depois daquela não tinha quem me pegasse no "mortal".

Depois tudo mudou... e em vez de esperar julho para brincar ou para ir à pracinha procurar uma aventura no parque de diversões, nós saímos de casa para procurar as sobras dessa alegria pueril em outras coisas, as vezes em coisas artificiais que nem valem tanto a pena. Talvez ser feliz com pouca coisa,- sem buscar explicação ou sentido para sorrir - seja um dom que pertence apenas às crianças.

Enfim, mais um mês de julho começa e mais uma festa de Sant'ana está se aproximando. Nessa festa eu não terei meu velho tio para pedir abença. Não fico me perguntando quantas voltas eu darei por noite, nem tomo mais sorvete de máquina, mas com certeza eu darei umas voltas pelo parque em busca de aventuras, só para ver qual é... talvez monga, talvez canoão, talvez twister... quem vai comigo? Eu pago duas cervejas geladas depois. =)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

"Travesti também tem sonho de cinderela"

por Tahiane
A natalense Leilane Assunção cursa doutorado em ciências sociais, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Aos 28 anos, dos quais 18 foram vividos num corpo de homem, é a segunda transexual doutoranda no Brasil, também foi a primeira do RN a ingressar numa instituição de ensino superior.

Você é a segunda transexual brasileira a cursar doutorado. Quando você descobriu isso?
Eu não tinha nem acesso a essas informações sabe? Confesso que sempre fui muito desengajada dos movimentos sociais de cunho gay. Eu tenho uma crítica muito forte em cima desses movimentos, em termos de Natal pelo menos que é a minha experiência. Então, conseqüência inclusive desse desengajamento, eu acabei ficando alheia em relação a como isso estava acontecendo. Pra mim isso também foi uma surpresa, eu não sabia de nada. Resta saber quem vai ser a primeira a defender a tese né? Eu acho que uma corrida saudável acaba de se iniciar entre eu e ela. (risos)

Agora que você conhece as estatísticas, e a partir do momento em que isso se torna público, você se torna um exemplo. Como você lida com a responsabilidade de ser referência?
Há algum tempo eu comecei a ter clareza de que eu poderia em algum momento vir a desempenhar esse papel, principalmente quando eu me encaminhei pra terminar a graduação. A partir do momento em que eu terminei a graduação e entrei no mestrado, eu comecei a perceber o assédio moral de outros gays já me buscando como essa referência. E, confesso, é muito complicado porque as pessoas às vezes perdem um pouco a distinção entre a admiração e a imitação. Hoje, já no doutorado, com os amadurecimentos intelectuais que vêm se processando em mim, eu já começo a ter outra clareza dessa idéia de referência. Então, hoje eu compreendo um pouco melhor e acho que estou mais preparada para responder a essas solicitações, no entanto, essa coisa de “Leilane referência” eu quero que se manifeste como uma coisa intelectual, não como um modelo de transexual perfeita.

Você já tinha amigos gays e transexuais antes? Como foi a aceitação desses amigos quando você resolveu virar transexual?
Já... Mudou radicalmente. Quando eu era gay eu tinha uma relação melhor com os outros gays, quando eu passei a ser transex, eu passei a ter uma relação melhor com os outros transex. Por que dentro do meio existe muita rivalidade, muita intriga, disputa entre gays e travestis. Muitos amigos meus gays passaram a me discriminar, pararam de freqüentar a minha casa, não mais me convidar à casa deles...

Então existe preconceito dentro do próprio meio...
Às vezes ele é até mais violento do que fora do meio. Não que isso vá servir para justificar o preconceito hétero em relação à homossexualidade, já que existe preconceito contra a homossexualidade dentro da própria. É outra dimensão do preconceito que precisa ser igualmente combatida.

Como foi esse processo de inserção na universidade? Você já era transexual antes de entrar na UFRN ou foi um processo que aconteceu durante a vida acadêmica?
Aconteceu durante. Antes de entrar na universidade eu via em filmes, em novelas, onde muitas vezes se mostrava a experiência universitária como um divisor de águas, e eu almejava isso. Para mim foi nesse sentido mesmo, eu entrei uma pessoa e hoje sou outra. Quanto ao processo de inserção, eu posso lhe dizer que não foi nada fácil e continua a não ser. Eu vou usar uma frase do velho lobo Zagalo que diz: “Vocês vão ter que me engolir”. E eu acho que é mais ou menos isso que eu estou fazendo com a UFRN, a universidade tem que me engolir. Tem que me engolir porque simplesmente eu tenho os méritos para isso. Eu venho, desde a graduação, construindo uma trajetória intelectual, sócio-cidadã de respeito, digna, abrindo esse espaço cada vez mais. E eu sei que quando eu abro esses espaços eles não são só para mim, em longo prazo, eles são para o gênero.

Você sofreu preconceito dos funcionários da universidade também?
De toda sorte de criaturas. Passando por funcionários, seguranças, estudantes, professores, visitantes... Em todos os meios sociais nós encontramos pessoas preconceituosas. Eu não sei quando é pior: se é quando elas são instruídas ou quando elas são ignorantes. Por que quando elas são ignorantes o preconceito é vulgar e quando elas são instruídas o preconceito é cínico. Eu não sei qual é o pior, mas prefiro o cínico porque me permite responder à altura.

Geralmente existe um preconceito familiar enorme quando se é gay, e muito maior quando se é transexual. Como a sua família encara a sua situação?
Hoje em dia está mais tranqüilo, exatamente por causa dessas conquistas que me deram legitimidade dentro de casa. Então, por exemplo, eu sou de uma família de professores, tenho três irmãs professoras, uma inclusive mestre em ciências sóciais pela UFRN, ela foi até o mestrado e parou, ou seja, eu vou ser a primeira doutora da família e eu sou a filha mais nova.

E na época? Como sua família encarou?
Foi o seguinte: eu venho de uma família protestante, puritana, passei a minha adolescência incólume sexualmente, eu perdi minha virgindade aos 19 anos. Mas, por quê? Porque eu estava envolvida dentro de um conflito moral muito pesado dentro da formação que eu tive, o conflito da descoberta da homossexualidade aos 12, dos 12 aos 15 eu passei por um processo de depressão profunda, de negação. Dos 16 aos 18 eu passei por um processo de aceitação, uma fatalidade da vida: eu sou assim, não vou poder mudar. Não adianta nada pedir a Deus para dormir e amanhecer menina que isso não vai acontecer, porque eu, na minha ingenuidade, aos 12 anos, criada em igreja evangélica, tive coragem de pedir isso a Deus. E aí aos 18 chegou aquele período da aceitação que eu não me contentava mais em representar um papel social pra agradar a minha família. Cadê as namoradas que nunca apareciam? Eu era delicado, franzino... Sai de casa e me assumi. Mas dos 18 aos 21 eu passei por outra depressão profunda. Eu me assumi e não conseguia ser feliz ainda. Pensei “não adianta, um homem nunca vai me ver como mulher e me satisfazer sexualmente como eu desejo na condição física masculinha em que estou”. Nessa fase eu já cogitava virar travesti, mas eu pensava “E a carreira acadêmica? E os amigos? E a família? E os empregos?”. Mas um dia eu chutei o pau da barraca e pensei que nada iria valer a pena se eu não fosse feliz. Sumi da vida familiar por seis meses e comecei o meu processo... Só que a vida me fez ter que voltar pra a casa da minha mãe sem nada, depois de 4 anos morando só, acima de tudo nessa condição nova que ela ainda não conhecia.

Como ela reagiu a isso?
Quando eu cheguei em casa ela quase caiu pra trás. E começou a combater de todas as formas, ela tinha vergonha quando o pessoal da igreja chegava. Eu entendo o lado dela... Na época foi muito dolorido ver isso, mas serviu pra mostrar que a vida não é como a gente quer, a vida é como ela é! O tempo foi passando, eu virei bolsista CNPQ na graduação, minha orientadora foi lá em casa e me elogiou, eu terminei o curso, entrei no mestrado, mamãe fez uma festa de aniversário pra mim e vários professores meus foram, me elogiaram também. E o tempo todo naquele diálogo dentro de casa: “mamãe, o fato de eu ser travesti não significa que eu não tenha valores, que eu não tenha moral, dignidade”. Então, de tanto bater nessa tecla, de tanta conversa, de tanta conquista, eles cansaram de lutar contra. Eu sei que não é uma satisfação, acho que, com a idade que eu tenho, minha mãe queria que eu tivesse uns três filhos e fosse pastor de uma igreja evangélica.

Você luta pela cirurgia de mudança de sexo pelo SUS. Como anda o processo?
Acho que não vai sair tão cedo... O ministério da saúde baixou uma portaria que os hospitais universitários têm que adaptar, tem um prazo, mas me parece que aqui em natal esses encaminhamentos estão muito lentos, muita desinformação. Já fui no (hospital) Onofre Lopes e disseram que não tem ainda nenhuma previsão. Está sendo muito combatido na justiça pelas bancadas católica e evangélica que consideram que o dinheiro que está sendo gasto nas cirurgias de transexuais é dinheiro publico, desviado de obras prioritárias. Eles entendem como um esforço absolutamente supérfluo de um indivíduo que nasceu num corpo com o qual não se identifica, de transformá-lo. Se eu morasse num grande centro, como São Paulo, certamente eu estaria bem mais próxima de conseguir isso. Eu estou indo no meu ritmo, o doutorado é uma prioridade acima dessa, hoje. Então, é muito nesse sentido, mas se eu morrer antes de fazer minha cirurgia não terei ido em paz.

Quais são seus planos para o futuro?
De imediato, é um doutorado brilhante, com intercâmbio na Alemanha, levar minha formulação às últimas conseqüências, se é que eu posso dizer assim... Eu quero ampliar meus horizontes intelectuais de trabalho, de epistemologia da ciência. Logo imediatamente depois, eu pretendo prestar concurso para alguma universidade federal brasileira. Não sei se da UFRN, mas, eu me vejo sendo professora da universidade publica brasileira. Me vejo com a cirurgia feita, o nome mudado, às vezes me vejo bem carola, conservadora, numa clássica família burguesa, travesti também tem sonho de cinderela. E às vezes me vejo também como uma mulher pós-moderna, independente, morando sozinha... A vida é quem vai me mostrar.

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Essa entrevista foi meu trabalho da 3º unidade da disciplina Oficina de Texto III, gostei muito do resultado e resolvi publicar aqui. Eu não fiz foto, então essa foto foi retirada na cara-de-pau do DN online. Espero que gostem.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Ora, Porque é Líquido!

por WART
Beber. Beber pra comemorar. Beber pra passar o tempo. Beber pra esquecer. Beber por merecimento. Beber por necessidade. Beber pra abrir o apetite. Beber pra dormir. Beber pra não acordar. Beber pra curar. Beber pra adoecer. Beber pra ficar bêbado. Beber sem motivo. Beber por todos os motivos. Só não deixar de beber. Vamos beber?

O consumo de bebidas alcoólicas é algo intrínseco à vida do ser humano, já está gravado no genoma, nem por força de macumba se pode mais separar um do outro. É praticamente um complemento vital, como o ar ou o sangue, que se chegasse um dia a faltar, impossibilitaria a continuidade da vida na Terra. Sim, o álcool é uma peça chave de nossas vidas, sem ele tudo ficaria bem mais difícil. Este nosso amigo está conosco há pelo menos 5000 anos e está bem longe de nos deixar. Quem, questiono, quem seríamos nós para repudiarmos sua existência, influência e necessidade?

Lembro que há alguns anos eu e meus amigos nos reuníamos tão somente para conversar. Ficávamos sentados no banco da praça vendo as pessoas passarem, conversávamos sobre todo tipo de coisa durante horas, diálogos sóbrios sem nem uma gota sequer de álcool. Bebíamos uma vez perdida, num fim de semana para festejar um aniversário por exemplo, bebíamos uma lata de cachaça e ficávamos todos embriagados, eufóricos. Bons tempos.

Com o passar dos anos, o álcool foi se juntando a nós, passou a fazer parte de nosso círculo de amizades. Ele era o amigo mais presente, raramente não estava lá, sempre animando o ambiente, provocando risadas. Nunca pedia nada em troca, generoso como só ele poderia ser. Quando não comparecia, ficava aquele clima estranho, aquela ausência um tanto quanto incômoda, mas até então suportável.

Hoje em dia, se não tiver birita, ninguém sai de casa. Quem danado vai sair do conforto do lar pra ir conversar besteira na rua? Não faz sentido. Se quiser ficar conversando, fique no MSN, ou Orkut, ou qualquer dessas coisas. Se é pra sair de casa, tem que beber. Se é pra ir num show, tem que beber. Se é pra ir numa missa, tem que beber. Num batizado, beber. Vacinar-se, beber. Cortar cabelo, beber. Fazer prova de concurso público para auxiliar de serviços gerais da prefeitura de Puxinanã, beber!

Digo sem medo que 90% dos meus amigos são alcoólatras, assim como eu. E passamos bem longe de ter receio de admitir isso. Não existe vergonha nem essa de ficar sem jeito. Em alguns momentos temos até orgulho de contar as quantidades infinitas de álcool que ingerimos na festa passada (sempre aumentando um pouco mais pra parecer mais forte e resistente). É tipo uma competição para ver quem é o maior bebedor de todos, o que consegue passar mais tempo sem apagar (se bem que ultimamente foi criada uma modalidade para ver quem apaga primeiro). Ou seja, estando bêbado e continuando a beber é a conta!

O álcool é uma constante em minha vida, eu realmente dependo dele. Ele sempre está comigo nos momentos mais difíceis, como também nos mais fáceis, como também nos momentos normais (por que não?). As maiores lições de vida que já tive foram durante minhas bebedeiras, exemplos que no momento que vi, tive certeza que mudariam meu modo de encarar o mundo para sempre... o problema é que de um tempo pra cá, adquiri amnésia alcoólica e já não lembro de quase nada no dia posterior. Contudo, não consigo ver o álcool como uma ameaça, pois quem o procura sou eu, o primeiro gole sempre se dá de forma consciente (quando não se está de "redonda", claro), é muita fraqueza de espírito dizer que foi influenciado a beber, que fez sem querer.

Eu ainda não sei onde estou querendo chegar com este texto. Talvez seja uma tentativa minha de amenizar a situação e torná-la mais aceitável, criar uma desculpa para justificar minha necessidade, pois sei, ao menos, que nunca pararei definitivamente de beber.

Hoje, à véspera de completar 25 anos, já percebo os encargos físicos e mentais que eu trouxe à minha vida com o álcool. Problemas que tenho consciência de que tendem apenas a severizar-se com o tempo. Entretanto, não posso viver condicionando minha vida a eventos futuros. Posso vir a morrer na próxima semana com um meteoro caindo em minha cabeça antes mesmo de desenvolver uma cirrose... logo, tenho que aproveitar a vida, não?

... falando em aproveitar e, como dito, amanhã é meu aniversário, vamos beber?

domingo, 7 de junho de 2009

Carinhagens...

por Tahiane

Eu tenho boas lembranças dos domingos de minha vida, os almoços em família na casa da minha avó paterna, a melhor cozinheira que eu já conheci. Todos os netos reunidos, fazendo barulho, implicando, reclamando e depois rindo, rindo, rindo, rindo... A mesa de 8 lugares comportando 10 pessoas que se acotovelam para ver qual prato maravilhoso vovó fez dessa vez. Os mais velhos falando do futuro e do passado com uma desenvoltura que maravilha as crianças de uma forma inacreditável e nós, ansiosos pelo passado de histórias que não tínhamos, escutávamos com atenção. Nada de pegar o prato e ir para a frente da televisão, “lugar de comer é na mesa” e a minha avó nunca abre mão da companhia de todos.

Depois que todos terminam de comer é trazida a sobremesa, vovó serve todos, colocando quantidades colossais da gostosura da vez para cada um. Parece-me que as pessoas velhas sentem uma necessidade de alimentar os mais novos de forma que eles tirem da cabeça as idéias de magreza impostas pela modernidade. E todos nós sempre tiramos; nos despimos de toda repressão e comemos até não agüentarmos mais.

Como depois da tempestade vem a calmaria, as tardes de domingo são recheadas de sonecas, todos dormem. Eu, no entanto, nunca tive o hábito de dormir à tarde, o que me faz ser a única expectadora do silêncio da casa. Andar descalça sentindo o chão frio e, depois de me certificar de que todos estão dormindo, deitar no chão de olhos fechados, ouvindo Bob Dylan cantar “Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me, I'm not sleepy and there is no place I'm going to”. É como se eu não estivesse nesse lugar, estivesse em toda parte, é como se eu estive tão segura que nada me faria mal, que nada me machucaria. Eu sempre penso a mesma coisa todo domingo, não importa onde eu esteja, eu penso na casa da minha avó.

A casa da minha avó é o meu porto seguro, é onde eu irremediavelmente já criei raízes invisíveis, psicológicas talvez... Meu quarto está lá entocado me esperando, e todas as coisas que eu não me lembro mais, meus livros, algumas roupas, alguns projetos inacabados de pintura, meus desenhos, pastas pipadas de cifras para violão e milhares de frascos de cosméticos que eu não uso mais. Quando eu chego lá estão todas as coisas, no mesmo lugar, mas cuidadosamente limpas. Eu estou em casa.

Milhares de ações de todas as minhas idades continuam acontecendo em outra dimensão naquela casa. Lá eu ainda sou a garotinha curiosa que mexe em todas as gavetas em busca de alguma novidade, algum grampo de cabelo antigo, alguma roupa do avô morto, alguma jóia brilhante da avó... É pra lá que eu volto quando alguma coisa dá terrivelmente errado na minha vida, quando eu fico doente, ou simplesmente quando a saudade aperta tanto que meu coração fica pequeno demais pra existir e a única coisa que pode resolver é algum tempo em Caicó, na casa da minha avó.

A saudade que eu sinto da minha tia, da minha avó, do meu pai, daquela casa que me causa um fascínio tão grande é indescritível. Parece que ela tem vida, parece que naquele mesmo jardim onde Dida, a minha tia mais minha, tirou tantas fotografias, ainda se fotografam crianças invisíveis, vestidas de índios, ou com fantasias carnavalescas. As fotografias ainda são tiradas com a mesma câmera de 20 anos atrás, uma analógica profissional que Dida guarda com tanto carinho... São tantas lembranças, são tantas saudades, são tantas histórias... Hoje, enquanto eu almoçava sozinha ouvindo Mr. Tambourine Man, eu me dei conta de que eu tenho um porto seguro. Mas, pensando bem, a casa é só o cenário... Quando eu chego, coloco as malas no chão e sou recebida com um gigantesco sorriso enquanto Dida diz “minha moça chegou, graças a Deus”, eu sei. Eu sei que as mulheres que me chamam de "minha moça" e "princesa" até hoje são o que me prende ao chão. São elas que me fazem ter certeza. Sem elas eu sou linear, sem chão, sem lugar. Enquanto elas estiverem ali, eu estarei de volta.

sábado, 30 de maio de 2009

Delírios Cotidianos - Charles Bukowski e Matthias Schultheiss

Charles Bukowski é um escritor único, cínico, marginal, anti-acadêmico, anti-grupos literários, politicamente incorreto, anarquista e um grande homem, daqueles que você poderia encontrar em um desses bares sujos da vida e logo faria amizade. É um dos escritores contemporâneos mais conhecidos dos EUA. Seus poemas atingem como ninguém a alma dos beberrões, boêmios, vagabundos, viajantes e, porque não, as pessoas enrustidas, que vivem uma vida tida como normal mas que, lá no fundo, queriam mesmo era sair pelas madrugadas bebendo e vendo o que a noite poderia proporcionar.

Este velho safado publicou mais de 45 livros de prosa e poesia quando estava vivo. Algumas dessas grandes histórias, o universo de Charles Bukowski, está todo aqui, em quadrinhos. Matthias Schultheiss, um aclamado quadrinista alemão, apresenta, em desenhos que traduzem o que há de mais genial nas histórias do velho safado, esse mundo povoado de bêbados e perdedores, prostitutas e marginais que perambulam na solidão das grandes cidades. Essa atmosfera sombria e desesperançosa flui página após página, produzindo o que poucas vezes foi conseguido: a certeira adaptação gráfica de histórias já consagradas na literatura.


Com um tom marcadamente autobiográfico, ‘Dois bêbados’, ‘Kid Foguete no matadouro’, ‘Os assassinos’, ‘A puta de 135 quilos’, ‘Mamãe bunduda’, ‘Henry Beckett’, ‘N. York, 95 cents ao dia’ e ‘Um trabalho em New Orleans’ são histórias cruas, que falam de sexo, desemprego e bebedeiras, ao melhor estilo do autor. Esses oito contos ilustrados foram publicados na década de 1980 em dois volumes na Coleção Quadrinhos L&PM e agora disponibilizo para download.

O "Velho Buk", para mim, é o melhor. Me vejo em seus poemas e contos enquanto os leio. Acredito que, se você, leitor, pertence também a esse mundo Junkie e nunca leu nada sobre ele, vai gostar e muito do que vai encontrar aqui e, quem sabe, acabará como eu, tornando-se um grande fã do cara.

Aproveitem!

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segunda-feira, 25 de maio de 2009

A Galera Hype e o Boom Nerd: A Modinha do Momento

por Tahiane

Ultimamente ouve-se muito falar que alguma coisa ou alguém é "hype", mas você sabe o que significa esse termo? Sim? Não? Pois bem: não existe uma definição "oficial" para o termo em Português BR, mas, trocando em miúdos, hype é a ultima moda, o assunto mais comentado (o termo é mais usado assim no Brasil). No dicionário publicitário, hype é a superpromoção de uma pessoa, uma idéia ou um produto. Vem do termo em inglês Hyperbole (hipérbole, em português), uma figura de linguagem.

Hoje, dia 25 de Maio, é dia do orgulho nerd. Mas os nerds não eram aqueles que apanhavam dos garotos maiores nos filmes? Aqueles que passavam a vida inteira jogando videogame vestidos com camisas da trilogia Star Wars, com óculos de armação grossa? Aqueles que ainda eram virgens aos 30 e moravam com os pais até a morte dos mesmos? É, esse é o estereótipo do nerd (geek em inglês, friki em espanhol...).

Agora todo mundo quer ser nerd, existe um status nisso... Muita gente "vira nerd" apenas pra parecer hype! Ei, não estou discutindo seu direito de seguir a moda, você pode sim ser isso, usar óculos de armação grossa (sem grau), dizer que A-D-O-R-A Star Wars e Jornada nas Estrelas, "faz o que tu queres, pois há de ser da lei" (já dizia Raulzito, plagiando Aleister Crowley).

A única coisa que realmente me incomoda nessa história é um bando de pseudo-intelectuais, vestidos de nerd (veja bem, nerd para a maioria "hype" é um estilo, roupas e cabelos). Essas pessoas colocam um Jean Paul Sartre debaixo do braço, leêm sobre Bergman na Wikipédia e estão prontos para rebater qualquer argumento seu, pois são verdadeiro críticos de cinema. Artes e filosofia? Eles dominam tudo! Não adianta, você jamais será tão inteligente e sensível artisticamente como um "nerd hype". As garotinhas do momento andam com camisetas de grife "i love nerds".

E quanto aos filmes Cult? Bem... Qualquer coisa ruim feita há 20 anos atrás pode ser Cult. E vira assunto nas discussões mais acaloradas sobre o maravilhoso cinema tailandês ou sobre os primórdios do famigerado Bollywood... é até engraçado...

Esse texto é só um desabafo de quem sente falta dos tempos em que as coisas estavam nos seus devidos lugares. As relações interpessoais se tornam verdadeiras trincheiras, cada um querendo saber mais que o outro, disparando argumentos e se defendento atrás de pensadores que muitas vezes essa pessoa não faz idéia do que dizem. É chato quando vira moda, é chato porque sempre existem pessoas que “se sentem”. É chato porque as pessoas não querem realmente alguma coisa, querem pessoas. Querem mostrar que podem ser aceitas no novíssimo circulo social, mostrar que podem ser hype.

Por enquanto, apesar de chato, essa coisa de “nerd hype” ainda traz algum conhecimento para as pessoas da modinha. Mas imagine só, leitor, quando chegar a moda da loura burra? Ou pior, da super-espiritualização por meio de cristais?

Espere só o boom mundial do techno-brega... vai ser um estouro mesmo!


p.s.: Perdoem qualquer possível incoerência, estou com TPM!
layout por WART :]