terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O que é isso companheiro?

por Tahiane
Eu gosto de reler livros antigos, alguns eu não termino porque (né?) eu já li e sei como acaba (nesse quadro se encaixam as biografias - salvo a de Vinicius de Morais, que eu li três vezes). Outros eu releio porque, não importa quantas vezes, sempre aparece algo novo, algo que passa despercebido. Nisso, fuçando meus livros (mais pelo ato que pela visão), puxo meio sem querer um livro que eu troquei num sebo. Na contracapa, as inscrições “José de Oliveira Caicó, Março – 84”. Trata-se de um exemplar de “O que é isso companheiro?” de Fernando Gabeira. Eu não vivi o contexto da ditadura, eu não sei nem metade do que realmente aconteceu, eu não senti na pele. Mas, esse livro, na época (eu tinha 15 anos) me fez ter certeza de que eu queria ser jornalista mesmo. Vontade de escrever com tanta sinceridade, talvez.

Não, o foco não é o Gabeira jornalista e sim o Gabeira da esquerda se libertando de amarras ideológicas. Amarras ideológicas cegam, e pra mim comunistas são como fanáticos religiosos, ou qualquer outro tipo de pessoa que não enxerga um palmo à frente do que acreditam. Claro que da primeira vez que li eu achava o máximo porque ele era comunista e tinha ajudado a seqüestrar o embaixador norte-americano (Yankee maldito, fora imperialistas! – sabe como é, 15 né?), mas relendo o livro eu o entendi como um contrato de lucidez. Gabeira, o jornalista, contando historias do Gabeira comunista, com uma visão irônica e até divertida do tempo das “amarras”. A fascinante história do homem que voltou a si.

Agora, enquanto escrevo, o homenzinho ilustrado desenhado na capa, com a cabeça aberta de onde saem coisinhas coloridas, me olha com uma expressão de incredulidade. Pensando bem, acho que é ponderação. Quando eu terminar de ler ele vai voltar para o seu lugar, ao lado dos livros que eu não consigo me desfazer. Se alguém quiser emprestado eu empresto, mas tem que devolver! Quem sabe um dia, quando eu crescer, eu seja uma grande jornalista também?

Sinopse: No final da década de 60, o atual deputado federal Fernando Gabeira envolveu-se na guerrilha urbana e tornou-se um dos homens mais procurados do país, mergulhado até o pescoço em ações espataculares que iriam transformar radicalmente a sua vida e a de muitos outros.

Download

2 comentários:

Moacy Cirne disse...

Sim, minha cara,
as amarras ieológicas são essencialmente conservadoras, é verdade.
Mas uma ditadura, não importa a sua coloração política, é uma ditadura: sempre cruel, sempre repressora.
De minha parte, continuo marxista, o que não quer dizer que eu seja comunista. São níveis diferentes de atuação no campo da prática teórico-humanística.

Um beijo de final de ano.

Francisco Sobreira disse...

Li o livro faz muitos anos anos, tantos que não me lembro de quase nada dele. Me lembro da boa qualidade do texto. Um abraço.

layout por WART :]